Mês: novembro 2015

FBI vai interromper uso de backdoors para obter dados de usuários

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FBI

Em mais uma vitória dos defensores da privacidade e da liberdade de informação, o FBI anunciou que está abandonando seu plano de inclusão de backdoors em produtos tecnológicos para facilitar o acesso a informações em caso de investigação. O plano do órgão, originalmente, era ter uma porta fácil de acesso aos dados, caso fosse necessário usá-la, mas essa proposta vinha enfrentando a dura resistência de fabricantes e desenvolvedores de tecnologia nos Estados Unidos.

Na opinião do diretor do FBI, James Baker, a ideia se parecia demais com um “pensamento mágico” que poderia facilitar todas as coisas e, por isso mesmo, trazia também um pouco de inocência por parte das autoridades. De forma um tanto irônica, ele afirmou que o uso de backdoors colocava toda uma responsabilidade sobre a “maravilhosa indústria de tecnologia dos Estados Unidos”, que deveria pensar em uma forma de criar uma abertura que fosse usada apenas pelas forças policiais, mas sem ser explorada por hackers e outros indivíduos.

“Talvez isso seja exigir demais”, concluiu ele, falando em uma conferência de tecnologia e segurança na cidade de Boston. Baker parece entender que a aplicação de uma backdoor que possa ser utilizada única a exclusivamente pelo FBI pode ser uma impossibilidade matemática e, sendo assim, afirmou que o órgão vai buscar outras maneiras de realizar seu trabalho e obter as informações necessárias para o andamento de suas investigações.

Desde meados do ano passado, o FBI e outras autoridades do governo americano estão em pé de guerra com empresas como Apple e Google por conta de sistemas de criptografia aplicados, principalmente sobre smartphones. De um lado, as fabricantes dizem que nem elas mesmas possuem métodos para quebrar a proteção de seus clientes, enquanto os órgãos de justiça pedem que portas sejam abertas para facilitar investigações sobre terrorismo e outros crimes. Tudo, claro, sob mandado judicial, algo que nem sempre é cumprido.

Agora, em vez de usar backdoor, a ideia é utilizar a “porta da frente”. Nas declarações, o diretor do FBI disse estar “confortável” com o uso de ordens oficiais e liberações pela Justiça, e que agirá sempre dentro da lei para garantir a segurança dos cidadãos, sem que isso implique em quebrar a privacidade de ninguém.

Via: Canaltech

Fonte: The Register

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Arqueólogos encontram fortaleza bíblica em Jerusalém

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Cidadela de Acra, construída há mais de 2 mil anos, foi um centro de poder e usada para conter a rebelião judaica registrada no livro bíblico dos Macabeus. Buscas já duravam mais de um século.

Acra foi localizada em escavações num antigo estacionamento

Depois de mais um século de buscas, arqueólogos afirmam ter encontrado as ruínas de uma antiga fortaleza grega mencionada na Bíblia e solucionado, assim, um dos maiores mistérios arqueológicos de Jerusalém. A cidadela de Acra estava enterrada em um estacionamento da cidade.

“Pesquisadores, juntamente com a Autoridade de Antiguidade de Israel, acreditam ter encontrado as ruínas da fortaleza nas escavações no estacionamento Givati, na cidade de David”, anunciou o órgão nesta terça-feira (03/11).

A fortaleza foi um centro de poder e usada para conter a rebelião judaica registrada no livro bíblico dos Macabeus. Acra foi construída há mais de 2 mil anos por Antíoco Epifânio, rei do império selêucida helênico. Pesquisadores tentavam localizá-la há anos.

Muitos acreditavam que a cidadela ocupasse o lugar onde atualmente fica a Cidade Velha de Jerusalém, com vista para a Igreja do Santo Sepulcro ou próximo à colina que abriga o complexo de mesquitas de Al-Aqsa.

Mas as ruínas localizadas em um antigo estacionamento pavimentado ficam fora dos limites da Cidade Velha, com vista para um vale ao sul. Segundo arqueólogos, a região de Acra corresponde ao local onde a construção de Jerusalém se concentrou durante o reinado bíblico de David.

O líder da escavação, Doron Ben-Ami, afirmou que Antíoco, que viveu entre 215 e 164 a.C., escolheu o local para poder controlar a cidade e monitorar as atividades no templo judaico. A fortaleza foi soterrada por uma colina artificial composta por várias camadas de terra deixadas por diferentes culturas.

Pedras de estilingues e pontas de flecha de bronze descobertos podem ser de batalha bíblica

Entre as ruínas há uma parede maciça, a base de uma torre e de um aterro de defesa, além de artefatos como moedas e alças de jarras de vinho, que parecem ser do período de Antíoco. De acordo com Autoridade de Antiguidade, a torre possui “dimensões impressionantes”.

Pedras de estilingues e pontas de flecha de bronze, da mesma época, também foram localizadas na escavação. As peças podem ser remanescentes da batalha entre forças gregas e rebeldes judeus que tentavam tomar a fortaleza.

“Esse é um exemplo raro de como rochas, moedas e terra podem se juntar em um episódio arqueológico único que aborda realidades históricas específicas da cidade de Jerusalém”, afirmou Ben-Ami.

Arqueólogos afirmaram ainda que a descoberta permite reconstruir a composição de assentamento na cidade de mais de 2 mil atrás. Acra foi mencionada vagamente em dois textos antigos: o Livro dos Macabeus, que retrata a rebelião, e nos registros do historiador Flávio Josefo.

Na tradição judaica, Antíoco é lembrado com o vilão do feriado Hanukkah que tentou proibir ritos religiosos e provocou a revolta dos Macabeus.

DW