Ciência

“Projetar bebês é impossível”, afirmam cientistas

Postado em

Em Washington, pesquisadores discutem manipulação genética, com destaque para a tecnologia CRISPR-Cas9. Especialistas afirmam que avanço da ciência na área é inevitável, mas que não é possível projetar um ser humano.

A conferência da Associação Americana para o Avanço da Ciência (AAAS) em Washington teve seu ponto culminante no início desta semana, quando a cientista Jennifer Doudna falou sobre uma “revolução na edição do genoma”: a tecnologia CRISPR-Cas9.

Junto a Emmanuelle Charpentier, do Instituto Max Planck de Biologia Infecciosa, em Berlim, Doudna, da Universidade da Califórnia, desenvolveu a tecnologia capaz de manipular genes de forma fácil e altamente específica em muitas espécies – inclusive em seres humanos. Muitas pessoas temem que o método possa ser utilizado indevidamente para criar os chamados “bebês projetados”.

Na China, cientistas já aplicaram a tecnologia para alterar o DNA de embriões humanos jovens no ano passado. No entanto, esses embriões não eram viáveis e também não lhes foi dada a chance de se desenvolver. Foi somente um mero experimento numa placa de Petri, sem aplicações clínicas.

Mas a possibilidade de que tais aplicações aconteçam futuramente impressiona os cientistas, inclusive Doudna, professora de Biologia Molecular e Celular. O foco dos pesquisadores se volta para as coisas surpreendentes que podem ser feitas por meio da tecnologia.

Cura de doenças

Doudna relatou imenso interesse pelo seu trabalho, afirmando receber inúmeros emails “diariamente”. Muitos dizem sofrer de uma doença hereditária e lhe escrevem pedindo para que sejam curados.

“Eu lhes respondo, explicando-lhes que a tecnologia não estará disponível clinicamente por muito tempo”, afirmou a cientista da Universidade da Califórnia. Mas, isso não quer dizer que esse não será o caso futuramente.

“O impensável se tornou concebível”, ressaltou no encontro da AAAS a filósofa e bioeticista francesa Françoise Baylis, da Universidade Dalhousie em Halifax, no Canadá.

Se os cientistas puderem manipular o gene que sofre mutação em pessoas com o mal de Huntington, por exemplo, então, eles poderão curar a doença e evitar que crianças nasçam com esse tipo de enfermidade.

No entanto, isso é verdade somente para doenças causadas por um “erro” único no genoma humano, como anemia falciforme ou distrofia muscular. Males como a esquizofrenia, por outro lado, são muito mais complicados de curar ou evitar.

Com a tecnologia CRISPR-Cas9, os cientistas esperam também poder manipular células do sistema imunológico para evitar o câncer e, assim, finalmente encontrar uma cura para a doença.

Jennifer Doudna (dir.) e colega Charpentier são festejadas em Washington

Longo caminho

Ainda falta muito para a aplicação terapêutica do sistema de edição de genes. E o trabalho em embriões humanos na China mostrou que essa tecnologia também altera o DNA em outras partes que não as desejadas – o que cientistas chamam de “clivagem fora de alvo”.

Há também uma questão prática a ser resolvida: no momento, cientistas não sabem como transportar as tesouras moleculares de edição de genes para as células e tecidos cujos genes devem ser manipulados.

“Se eu soubesse a resposta para isso, provavelmente eu poderia me aposentar”, riu Doudna. Originalmente, a pesquisadora desenvolveu a tecnologia CRISPR-Cas9 para investigar a imunidade em bactérias. Mas logo ficou claro que o método poderia se tornar mais do que uma ferramenta de laboratório. Em particular, “quando foi publicado um trabalho mostrando que a tecnologia possibilita a manipulação de genes em macacos.”

Cientistas estão cientes de que a capacidade de edição de genes humanos pode ter sérias consequências. “Isso poderia pressionar pessoas a mudarem sua sequência genética quando tiverem uma doença”, o que poderia levar à discriminação, disse Baylis.

“Odeio o termo bebê projetado”

Os perigos de utilização incorreta da tecnologia são menos prováveis do que a maioria das pessoas pensa. “Não sabemos como aumentar a inteligência”, exemplificou Robin Lovell-Badgne, do Instituto Francis Crick de Londres.

Como tantas outras características de um ser humano, a inteligência não é resultado de um único gene. Mas muitos deles estão envolvidos – e, atualmente, cientistas não sabem quais são.

Mesmo que quisessem, pesquisadores não saberiam como aumentar a inteligência num embrião humano. “Bebês projetados não são possíveis”, afirmou Lovell-Badgne, acrescentando que detesta essa expressão. “No final, sempre acabamos com a imagem de um bebê louro e com olhos azuis – eu me pergunto por quê.”

Avanço inevitável

Em Washington, Doudna falou sobre antecedentes científicos e questões fundamentais que ainda precisam ser respondidas. Somente os 5 minutos finais de sua palestra foram dedicados a implicações éticas. Para ela, como cientista, existe somente um caminho a seguir: “Temos que realizar mais pesquisa básica.”

“Intervenções genéticas são inevitáveis”, disse Baylis. “Por três razões: a busca humana por conhecimento, o nosso desejo de nos superar, e porque pensamos que todos têm o direito de se reproduzir”, afirmou a especialista em Bioética.

No encontro na capital americana, uma coisa ficou clara: que a ciência envolvida na manipulação de genes humanos irá avançar, não importa quão grandes sejam os temores em relação a essa tecnologia e suas implicações.

Deutsche Welle

Anúncios

Os mosquitos mais perigosos do mundo

Postado em

O maior responsável por mortes de seres humanos é um animal minúsculo. Em todo o mundo existem 3,5 mil espécies de mosquitos. Um panorama dos mais letais, a serem evitados de todo jeito.

Anopheles é conhecido como “mosquito da malária”

Mais de 1 milhão de pessoas morrem a cada ano de doenças transmitidas por mosquitos – fato que torna esses insetos os seres mais mortíferos do mundo. Aprenda mais sobre os gêneros mais nocivos, seus habitats, padrões de alimentação e áreas de disseminação.

Anopheles, transmissor da malária

Existem mais de 460 espécies do gênero Anopheles, também conhecido como o “mosquito da malária”. Cerca de 20% delas são capazes de propagar entre humanos o plasmódio, protozoário causador da doença. A fêmea dissemina a malária quando pica uma pessoa infectada para sugar seu sangue e passa o parasita letal às vítimas seguintes.

Este gênero de mosquito é facilmente identificável pelas listras pretas e brancas nas asas. Ele está disseminado por praticamente todo o mundo, com exceção da Antártica. Embora hoje em dia a malária se restrinja às zonas tropicais, sobretudo a África Subsaariana, muitas espécies de Anopheles gostam de climas mais frios e se reproduzem neles. Focos de água parada, limpa e sem poluição são paraísos reprodutivos para o Anopheles.

Distribuição global do mosquito Anopheles, vetor da malária

A malária é uma doença sanguínea que não é contraída no simples contato com indivíduos infectados, mas pode ser transmitida por meio de agulhas contaminadas ou transfusões de sangue. Há mais probabilidade de sintomas graves ou fatais em idosos, pacientes com o sistema imunológico debilitado, crianças, gestantes e viajantes originários de regiões onde a doença não ocorre e, portanto, menos resistentes a ela.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que uma criança morra de malária a cada minuto, em nível global, apesar de o total de casos ter caído 47% nos últimos 15 anos. Foram desenvolvidos medicamentos antimalária, mas ainda não existe uma vacina contra a doença.

 Aedes aegypti transmite o vírus zika, entre outros

Aedes, transmissor da dengue, encefalite japonesa, zika e febre amarela

O Aedes é o mais invasivo dos três gêneros mais nocivos de mosquitos. Ele é transmissor frequente de infecções virais como a dengue, febre amarela e zika. Assim como o Anopheles, o Aedes é originário de regiões tropicais e subtropicais, mas pode ser encontrado atualmente em todos os continentes, exceto a Antártica. Ele se distingue por marcas brancas e pretas bem perceptíveis nas pernas e costas. Ao contrário dos demais, o gênero Aedes tem atividades diurnas.

Antes presente exclusivamente em habitats aquáticos,ele se adaptou aos ambientes rurais, suburbanos e urbanos. A OMS aponta que o Aedes se espalhou da Ásia para a África, as Américas e a Europa nas últimas décadas, sobretudo devido ao comércio de pneus usados, com a água da chuva concentrada em muitos deles propiciando a postura de ovos.

Encefalite japonesa: Transmitida a seres humanos, porcos domésticos e pássaros selvagens, a encefalite japonesa é uma infecção viral que resulta numa inflamação do cérebro. Em geral os pacientes apresentam febre moderada ou dores de cabeça, mas nos casos severos a infecção pode ser fatal.

Febre amarela: Segundo a OMS, mosquitos do gênero Aedes são responsáveis pelo contágio de quase 200 mil pessoas por ano com a febre amarela. Essa infecção viral hemorrágica aguda se manifesta nas áreas tropicais e sub-tropicais da América do Sul e África. Mais de 30 mil pessoas não vacinadas sucumbem anualmente a ela.

Distribuição global da dengue, transmitida pelo mosquito Aedes

Dengue: Após a infecção, os portadores da dengue se tornam transmissores e multiplicadores, tendo os mosquitos como vetores. O vírus circula na corrente sanguínea humana por dois a sete dias, período em que o paciente poderá apresentar febre. Uma vez recuperado, ele se torna permanentemente imune à cepa do vírus da dengue que contraiu.

Vírus zika:Apenas uma em cada cinco pessoas infectadas pelo vírus zika apresenta sintomas que podem incluir náusea, irritabilidade, urticária, conjuntivite e fortes dores nos músculos e articulações. Em casos mais raros, é necessário hospitalização.

Embora menos de 0,01% de todos os casos registrados até o momento tenham sido fatais, o vírus representa risco sanitário grave. Os Centros de Controle e Prevenção (CDC, na sigla em inglês) dos Estados Unidos divulgaram que o zika estaria relacionado a picos de microcefalia, defeito congênito caracterizado por uma caixa craniana menor do que o normal, além de eventuais danos cerebrais permanentes.

No início de fevereiro de 2016, a OMS declarou emergência sanitária global devido à grande incidência de microcefalia no Brasil. Segundo os CDC, em 2015 foram registrados no país 30 vezes mais casos de zika do que nos demais anos desde 2010. Em consequência, o órgão desaconselhou as gestantes de viajarem tanto para o Brasil como para a Colômbia, El Salvador, Guiana Francesa, Guatemala, Haiti, Honduras, Martinica, México, Panamá, Paraguai, Porto Rico, Suriname e Venezuela.

Ainda não existe tratamento contra o zika, mas a empresa alemã Genekam desenvolveu um teste que revela a existência de patógenos do zika em amostras de sangue.

Mosquito comum caseiro do gênero Culex

Culex, transmissor da febre do Nilo Ocidental, encefalite japonesa, elefantíase e possivelmente zika

Conhecido como mosquito caseiro comum, o Culex geralmente prefere sugar o sangue de pássaros ao humano, saindo para se alimentar ao amanhecer e entardecer. O gênero, que inclui mais de mil espécies, não é considerado tão perigoso para a saúde humana quanto o Anopheles e o Aedes.

Apesar de não ser o principal transmissor de moléstias potencialmente fatais como a malária, febre amarela ou a dengue severa, o inseto de cor parda pode disseminar uma variedade de outras doenças bastante graves, como a febre do Nilo Ocidental, elefantíase e encefalite japonesa.

Distribuição global do mosquito Culex, vetor do vírus do Nilo Ocidental

Febre do Nilo Ocidental: Ao longo da última década, houve um acréscimo das ocorrências desta febre, sobretudo em países onde seu agente patogênico não era tão comum, como os Estados Unidos, Grécia e Rússia. O vírus é característico de zonas temperadas e tropicais. Os que o contraem em geral ignoram que estão infectados, pois ele não costuma provocar sintomas. Atualmente não existe uma vacina contra a febre do Nilo Ocidental.

Elefantíase: Enquanto os surtos de febre do Nilo aumentaram, caiu o número de casos de elefantíase. Esta doença causada por vermes nematoides e transmitida por mosquitos já fez dezenas de milhões de vítimas pelo mundo, deixando muitas incapacitadas. Mais frequente na África, Ásia e Pacífico, a contaminação com o parasita provoca danos severos aos sistemas imunológico e linfático. Doença dolorosa e desfigurante, em parte dos casos a elefantíase permanece despercebida por muitos anos.

Vírus zika:Embora o Aedes seja o único vetor comprovado do vírus zika, os cientistas estudam agora se o Culex não seria também responsável pelo aumento do número de infecções. O fato de esse gênero de mosquito ser 20 vezes mais frequente no Brasil do que as espécies de Aedes explicaria a intensidade do surto no país. Pesquisadores da Fiocruz observam que, se o Culex for realmente um transmissor do zika, conter o vírus poderá ser “mais difícil do que se pensava”.

Engenheiros desenvolvem nanomaterial que consegue suportar forças equivalentes a 160 mil vezes o seu peso

Postado em

 

Como serão as construções do futuro com os incríveis materiais que estão em fase de pesquisa?

Engenheiros do MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts) tiveram uma inspiração na arquitetura para criar um novo material, que combina alta rigidez com leveza, utilizando uma estrutura de repetição geométrica, a qual é arejado e extremamente forte.

O novo design do material foi desenvolvido em colaboração com o Laboratório Nacional Lawrence Livermore, e usa microlattices em nanoescala para combinar grande rigidez e resistência com densidade ultra baixa. Essencialmente, são usados os mesmos princípios de estrutura encontrados em grandes arquiteturas como a Torre Eiffel. A pesquisa feita foi publicada na revista Sciencemag.

Normalmente, retirar matéria de uma microestrutura pode diminui sua rigidez e força. Entretanto, os pesquisadores, matematicamente, determinaram a distribuição e direção das cargas em uma estrutura geométrica, de modo que eles podem cortar o material em lugares onde nenhuma característica será perdida.

De fato, o novo material, uma vez projetado, foi materializado usando um processo de impressão em 3D de alta precisão chamado projeção microestereolitográfica.

Nos testes, suas propriedades surpreenderam os pesquisadores: “Nós descobrimos que, para um material tão leve e esparso como aerogel, vemos uma rigidez mecânica que é comparável à de uma borracha sólida, e 400 vezes mais forte do que algum objeto de densidade similar. Essas amostras podem facilmente suportar uma carga de mais de 160 mil vezes o seu próprio peso”.

Os pesquisadores sugerem que esse material poderia ser útil em aplicações espaciais, onde o baixo peso é crucial, mas é preciso de força e rigidez ao mesmo tempo.

É claro que poderia ser usado em outros lugares também. Os investigadores sugerem que ele pode ser usado para fazer as pilhas portáteis mais leves, por exemplo, ou qualquer outra estrutura que precisa oferecer elevada resistência aliada à pouca densidade. Independentemente de onde ele será utilizado, é um feito impressionante de design de material.

Fonte: Gizmodo Foto: Divulgação

Via Jornal Ciência

Transferência de glóbulos brancos é testada no tratamento da leucemia

Postado em

Após transplante de medula óssea, sistema imunológico de pacientes é neutralizado, a fim de evitar rejeição. Pesquisadores da Alemanha estudam transferir linfócitos B e “células da memória” do doador.

Em casos graves de leucemia, o transplante de medula óssea é um tratamento comum, em que o tecido do paciente é substituído pelo do doador. Após esse procedimento, a recuperação do sistema imunológico do transplantado pode durar meses e anos. Assim, cientistas da Alemanha pesquisam uma técnica para reduzir os riscos de infecção durante essa fase.

A leucemia é um câncer que afeta os leucócitos – glóbulos brancos do sangue que fazem parte do sistema imunológico, o responsável pela proteção contra doenças. Os casos de leucemia aguda se desenvolvem rapidamente e precisam ser tratados o mais rápido possível.

Mas no transplante a medula óssea do doador também pode ser rejeitada pelo organismo do receptor. Isso obriga os transplantados a tomarem remédios que reprimam amplamente a ação de seu sistema imunológico, aumentando o risco de infecção e acarretando que a vacinação básica tenha que ser refeita, como numa criança. Entretanto, não existem vacinas contra certos agentes, como fungos ou o vírus do herpes.

“Alguns pacientes pegam alguma infecção logo após o transplante, ou seja, nas quatro primeiras semanas. Mas eles podem também estão expostos a infecções graves nos anos seguintes”, informa Andreas Mackensen, do Hospital Universitário de Erlangen.

Pesquisadores do Instituto de Virologia do Departamento de Biologia da Universidade de Friedrich Alexander de Erlangen e Nurembergue pesquisam como diminuir ou eliminar esse risco. No futuro, após o transplante de medula óssea, os pacientes devem receber também linfócitos B saudáveis – um tipo de glóbulos brancos que produz anticorpos.

Transferência de linfócitos B reduziria estresse inunológico

Células da memória

Os pesquisadores já conseguiram isolar os linfócitos B tanto in vitro quanto em experimentos com camundongos. E desenvolveram técnicas para purificar os leucócitos do sangue do doador e transferi-los para o paciente de transplante. No atual estudo, essa transferência ocorre de três até quatro meses depois do transplante.

“Esse é o período que o paciente ainda não possuiu um novo sistema imunológico e está vulnerável a infecções. Nós conseguimos demonstrar que na fase após o transplante o paciente não possui nenhuma célula de memória no sangue”, diz Mackensen.

Essas células, responsáveis pela memória imunológica do corpo, são uma espécie de catálogo de informações para a formação de anticorpos contra doenças. Os pesquisadores pretendem também transplantá-las nos receptores, para que seu corpo não precise aprender novamente as respostas imunológicas – como ocorre com os recém-nascidos.

Ou seja: após o transplante de medula óssea, os pacientes com leucemia recebem também do doador um sistema imunológico saudável. Por exemplo, se o doador foi vacinado contra febre tifoide, essa vacina também é transferida ao receptor.

“Nós queremos, saber o que acontece exatamente, é claro. Pretendemos também aplicar uma vacina convencional no paciente, para observar se ele reage a ela. Nós sabemos que sem células [da memória] o paciente não reage à vacina. Deste modo, temos um grupo de controle e podemos mostrar que a técnica funciona”, relata o pesquisador.

Perigo de reação imunológica descontrolada

Contudo há, ainda, o risco de que as células imunológicas não produzam somente anticorpos contra bactérias e vírus, mas também autoanticorpos, causando distúrbios nas reações imunológicas, como reações exageradas do sistema de imunidade.

“Por isso decidimos começar no primeiro estudo com uma quantidade pequena dessas células. Assim, elas não desencadeiam diretamente reações imunológicas completas, que possam se voltar a tecidos saudáveis. Esse é o problema e o risco principal”, admite Andreas Mackensen.

Mas há um anticorpo que é permitido para determinadas doenças e é capaz de “desligar” os linfócitos B transplantados. “Se a situação sair totalmente do controle, há a possibilidade de aplicarmos esses anticorpos que eliminam imediatamente as células. Portanto, existe um mecanismo de segurança.”

Em sua primeira fase, a pesquisa em Erlangen conta com 15 pacientes. O primeiro teste foi feito num rapaz bávaro de 21 anos, submetido a transplante em março. “Ele está ótimo; em casa e com saúde; vem regularmente para a consulta de controle e está superando tudo muito bem”, conta, animado o cientista.

 

Cientistas descobrem Super-Terra a apenas 16 anos-luz de distância

Postado em

O planeta foi classificado como um dos três mais parecidos com a Terra

Concepção artística do planeta  Gliese 832 c, potencialmente habitável

Concepção artística do planeta  Gliese 832 c, potencialmente habitável (PHL @ UPR Arecibo, NASA Hubble, Stellarium)

Cientistas descobriram uma Super-Terra potencialmente habitável a apenas 16 anos-luz (equivalente a 151,3 trilhões de quilômetros) do nosso planeta, o que a torna a mais próxima já descoberta. O planeta Gliese 832 c têm por volta de 5,4 vezes a massa da Terra e orbita uma estrela ao redor da qual já foi encontrado também um planeta semelhante a Júpiter.

Os cientistas anunciaram a descoberta na última semana e a pesquisa, liderada por Robert Wittenmyer, astrônomo da Universidade de Nova Gales do Sul, na Austrália, será publicada no periódico The Astrophysical Journal.

O novo planeta está mais próximo de sua estrela do que a Terra do Sol, mas recebe uma quantidade de calor parecida, pois orbita uma anã-vermelha, mais fria do que o Sol. O planeta foi adicionado ao Catálogo de Exoplanetas Habitáveis e foi classificado no Índice de Similaridade com a Terra (ESI, na sigla em inglês) como um dos três mais parecidos com o nosso planeta.

Informações ainda desconhecidas, como sua composição ou atmosfera, podem reduzir a semelhança com nosso planeta. Se ele for envolto por uma atmosfera densa, típica de Super-Terras, por exemplo, talvez suas temperaturas sejam quentes demais para torná-lo habitável.

VEJA

Mistério: Nasa detecta sinal de origem desconhecida a 240 milhões de anos-luz da Terra

Postado em

Os astrônomos detectaram um sinal misterioso a mais de 200 milhões de anos-luz da Terra, na constelação de Perseus.

O sinal não identificado é um “pico de intensidade com um comprimento de onda muito específico de luz de raios-X”. Os cientistas ainda não sabem qual foi a origem.

Uma das teorias é realmente interessante: pode ter sido “produzido pelo decaimento de neutrinos estéreis, um tipo de partícula que é, talvez, um dos componentes da matéria escura”. Segundo Esra Bulbul, do Centro Harvard-Smithsonian de Astrofísica, em Cambridge, Massachusetts: “Sabemos que a explicação da matéria escura é um tiro no escuro, mas o seria de grande revolução na astronomia caso estejamos certos. Para tentar desvendar essa luz misteriosa, vamos manter essa interpretação e ver até onde isso nos leva”.

Os astrofísicos agora estão trabalhando na busca da confirmação desta suposição. Isso seria um grande avanço já que ninguém conseguiu determinar esse tipo de neutrino antes diretamente na matéria escura, mesmo ela sendo o que constitui 85% de toda a composição do Universo.

Alguns cientistas estão até sugerindo que a origem não pode ser os neutrinos estéreis. Em vez disso, eles dizem que existem “diferentes tipos de candidatos para as partículas de matéria escura, tais como o axion, que pode ter sido detectado”.

Para encontrar este sinal, uma equipe liderada por Bulbul passou 17 dias observando e avaliando Perseus, usando dados de 10 anos do Observatório de raios-X Chandra da NASA e com o ESA XMM-Newton.

Perseus é um “titã” dos céus, sendo um conjunto de objetos maciços mais conhecido no Universo. Abriga milhares de galáxias imersas em uma vasta nuvem de gás multifacetada.

Não é a primeira vez que os cientistas detectaram coisas “misteriosas” nesse aglomerado. Já em 2003, os pesquisadores “escutaram” uma das notas mais graves já detectadas, com um período de oscilação de 9,6 milhões de anos. Isso equivale a 57 oitavas abaixo das teclas do meio de um piano.

Abaixo você escuta o som capturado em 2003:

Agora, no próximo vídeo, você confere uma montagem gráfica mostrando a localização de Perseus no céu, partindo da Terra como referência:

Jornal Ciência

Recorde de energia solar: metade da eletricidade da Alemanha vem do sol

Postado em

O instituto de pesquisa Fraunhofer ISE anunciou que a Alemanha estabeleceu um recorde para o uso de energia solar em 9 de junho, dia em que 50,6% da demanda de energia do país passou a ser atendida pela incrível tecnologia de captação da energia do sol. Parece que estamos cada vez mais próximos de uma solução eficaz e sustentável para problemas de um futuro que não demorará muito para chegar.

Aquela conversa de que o mundo se criou sobre um modelo de desenvolvimento que está ruindo e correndo rumo à falência parece velha, mas a verdade é que esse papo é cada vez mais atual. Quanto mais ouvimos falar que os recursos naturais que são base para a economia mundial, como o petróleo e até água potável, estão chegando a um fim natural por conta do uso excessivo que fazemos deles, mais subestimamos esses fatos.

Mas a verdade é que precisamos de soluções. São implementações de tecnologias como essa que a Alemanha colocou em prática que acendem uma luz no fim do túnel para a humanidade.

A energia solar na Alemanha

Você deve estar se perguntando: mas bem a Alemanha!? Achei que os dias por lá fossem mais cinzentos do que ensolarados… Pois é. Eu fiquei com essas pergunta martelando na minha cabeça também. E a reposta é que apesar de não ter os céus mais limpos do mundo, a Alemanha foi compelida a investir nessa tecnologia.

Ao invés de ocupar enormes fazendas, como outros países mais privilegiados pelo sol, o foco do gelado país europeu são coletores solares instalados em casas, empresas e edifícios de qualquer tipo.

Atualmente, mais de 90% dos painéis solares montados no país estão em telhados, o que fez com que a terra da cerveja quebrasse dois recordes praticamente ao mesmo tempo: a produção de energia solar chegou a 24,24 GW entre as 13h e 14h no último dia 6 de junho e, ao longo de toda essa semana, o país produziu 1,26 TWh de eletricidade a partir da mesma tecnologia. Como dissemos no começo do texto, esses valores são capazes de atender 50,6% da demanda de energia de todo o país.

Só para você ter uma ideia de como esses números são significativos, relatórios recentes mostraram que nos Estados Unidos a produção de energia solar corresponde a apenas 0,2% da produção total de energia no país. Claro, os EUA é um país bem maior que a Alemanha. Mas, proporcionalmente, podemos ver que os americanos estão realmente muito atrás nesse quesito.

Ajudinha do governo

Para fazer uma mudança tão profunda quanto essa, a população ganhou um incentivo. A popularidade de painéis solares nos telhados das casas foi reforçada por subsídios generosos do governo, juntamente com uma campanha publicitária bem sucedida. O movimento faz parte de um plano do governo alemão para reduzir as emissões de gases do efeito devido à eletricidade tradicionalmente ser produzida em centrais elétricas a carvão e usinas nucleares, de forma que o conjunto dessas instalações está programado para encerrar definitivamente em 2022. Para concretizar tal objetivo, o país tem investido muito em energia solar, energia eólica e biomassa, embora claramente a energia solar tenha se tornado a líder nacional.

Problemas

A mudança para a energia solar não foi isenta de problemas, é claro. O governo planeja reduzir ou eliminar os subsídios o mais depressa possível e a procura por baterias para armazenar a eletricidade feita em casa está superando a oferta, o que naturalmente leva a um aumento nos preços.

Além disso, não está claro que papel esses equipamentos irão desempenhar no futuro. Atualmente, muitos proprietários estão relatando que a produção de energia excede a demanda em dias ensolarados, e por isso vendem o que sobra para empresas de energia elétrica, que armazenam para ter uma reserva para dias nublados.

Há um outro problema também: embora não seja tão óbvio, por termos uma imagem de que em países desenvolvidos esse tipo de coisa não acontece, o governo alemão observou recentemente que quase sete milhões de famílias estão vivendo em “pobreza de energia” para receber abonos na conta de luz. Segundo os economistas, o programa, chamado Energiewend, acabou invertendo a foco de distribuição de riqueza proposto pelo governo. Ao invés de privilegiar os pobres, quem acaba recebendo os incentivos são os ricos, e às vezes a classe média, que são as pessoas que conseguem arcar com os custos de instalação de todo esse equipamento. Os pobres continuam a viver marginalizados, mas pagando os impostos que garantem os fundos necessários para os subsídios.

As respostas, mais do que nunca, não existem prontas para consumo. Elas precisam ser inventadas e erros fazem parte do caminho. Contudo, não há como duvidar que o céu é o limite para as possibilidades que, um dia, a energia solar proporcionará para a Alemanha – e todos os outros países que seguirem esse exemplo.

Via Hypescience

Fonte: Phys