Saúde

McDonald’s alemão lança hambúrguer orgânico

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De orgânico, porém, sanduíche só tem a carne: demais ingredientes continuam sendo convencionais. Novidade é tentativa de se adaptar a uma tendência forte na Alemanha.

Uma novidade nos restaurantes do McDonald’s da Alemanha divide opiniões no país. Desde 1º de outubro – e pelo período de somente sete semanas –, a rede de fast food está vendendo seu primeiro hambúrguer com carne 100% orgânica.

O novo produto é chamado de McB: a letra B corresponde à palavra bio, que na Alemanha equivale ao brasileiro orgânico. O McB foi lançado quase ao mesmo tempo que outra novidade da rede americana, o hambúrguer vegetariano.

Seriam esses os sinais de que a empresa estaria ficando mais “verde”?

Sanduíche não é totalmente orgânico

Joyce Moewius, assessora de imprensa da associação alemã dos produtores da agricultora orgânica, afirma que a rede de fast food está tentando lucrar com o valioso rótulo dos produtos orgânicos sem, na verdade, oferecer um sanduíche totalmente orgânico.

“Produtos orgânicos têm uma grande reputação na Alemanha, e o McDonald’s está tentando melhorar a sua imagem”, diz Moewius. “Infelizmente, o resto do sanduíche continua sendo produzido da forma convencional.”

Hans Hahne, um empresário que possui 14 franquias do McDonald’s na região de Colônia, no noroeste da Alemanha, confirma que a rodela de carne moída é realmente o único ingrediente orgânico do sanduíche. “A primeira segmentação para o orgânico foi a carne, já que é a parte mais importante para as pessoas”, diz Hahne.

Numa de suas franquias em Bonn, na Alemanha, Hahne mostra como o hambúrguer é armazenado e preparado de forma separada. “A rodela de carne convencional é totalmente arredondada. Já a rodela de carne orgânica, ou bio, tem uma forma irregular”, explica Hahne. Assim não há como um funcionário confundi-las.

Em termos de logística, seria difícil e caro separar a alface, os tomates, os pães e os outros ingredientes orgânicos dos convencionais.

Como a rodela de carne do McB (d) tem formato diferente, não há o risco de funcionários se confundirem

Por que a Alemanha?

O porta-voz do McDonald’s na Alemanha, Philipp Wachholz, define o produto como uma resposta às novas tendências de consumo no país. Para ele, a alimentação vegetariana e orgânica são tendências fortes, e a rede de fast food está apenas se adaptando a essa situação.

“Além disso, as pessoas também gostam de ter carne proveniente da região onde elas moram”, acrescenta. Toda a carne do McB provém da Alemanha e da Áustria.

Stephanie Töwe, uma ativista da agricultura sustentável do Greenpeace Alemanha, também vê a ação da empresa como resposta a uma mudança nos hábitos dos clientes – não só da Alemanha, mas em toda a Europa, ao longo da última década.

“As pessoas querem saber de onde vêm os alimentos e quem os está produzindo. Elas se importam com padrões sociais e ambientais e com normas para o bem-estar dos animais”, afirma Töwe.

Para ela, o mercado, especialmente na Alemanha, mudou. Uma maior diversidade de produtos – incluindo aqueles que agridem menos o meio ambiente – está forçando a empresa de fast food a se readaptar.

“Eu acho que o McDonald’s percebeu que, se quiser realmente sobreviver aos próximos 40 anos, terá que mudar e se tornar mais verde”, afirma Töwe.

Grandes empresas influenciam o mercado

Os novos produtos do McDonald’s na Alemanha são o passo mais recentes de uma longa evolução. E essas mudanças podem ter um impacto amplo. É o caso, por exemplo, da moratória da soja, um pacto contra o desmatamento da Amazônia.

Em 2006, em reação a um relatório do Greenpeace sobre desmatamento na Amazônia, o McDonald’s parou de comprar insumos, como ração para galinhas, provenientes da região desmatada. No início deste ano, um estudo descobriu que essa política reduziu drasticamente o desmatamento na indústria da soja.

“É claro que grandes empresas conseguem influenciar o mercado”, afirma Moewius. Se o hambúrguer orgânico do McDonald’s se estabelecer, poderá aumentar, em grande escala, a demanda por commodities orgânicas e promover a agricultura orgânica nos países da União Europeia.

O McDonald’s na Alemanha diz que isso depende da resposta que os clientes vão dar para a novidade. “Até agora, o retorno é positivo”, afirma Wachholz. “Vários países estão acompanhando de muito perto a nossa promoção”, acrescenta, indicando um potencial de expansão para fora do país.

DW

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Como a falta de sono afeta a sua saúde

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Pesquisas recentes sugerem que dormir pouco tem grande impacto no bem-estar geral de uma pessoa, independentemente de hábitos como fumar e beber ou do estresse. Saiba o que estudos sobre o tema dizem.

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Pessoas que dormem menos de seis horas por noite têm 4,2 vezes mais chances de ficarem resfriadas. A constatação é de um estudo tornado público nesta semana por pesquisadores da Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos.

“O sono é o principal fator de bem-estar. Não importa a idade da pessoa, o quanto ela é estressada, seu nível educacional ou salarial, sua origem étnica ou se é fumante. A quantidade de sono é fator fundamental para determinar o quanto ela é saudável”, explica Aric Prather, um dos pesquisadores.

Os efeitos da falta de sono e os benefícios que dormir suficientemente pode proporcionar são uma espécie de mantra repetido pelos médicos.

Mas em uma sociedade que premia a redução do sono como sinal de produtividade e compromisso com o trabalho, Prather diz que são necessários “mais estudos para realmente passar a ideia de que o sono é crucial para o bem-estar”.

Abaixo, uma lista de estudos que ilustram os riscos de não ter uma boa noite de descanso.

Symbolbild - Dicke Menschen Falta de sono aumenta riscos de obesidade.

1. Memória e funções cognitivas prejudicadas

Além de desacelerar o nosso tempo de reação e obstruir o desempenho em geral, a carência de sono tem efeitos negativos de longo prazo no aprendizado, processamento de novas informações e na capacidade cognitiva de alto nível.

O pesquisador William Killgore, da Escola de Medicina de Harvard, publicou, em 2010, um estudo no periódico científico Progress in Brain Research. A conclusão foi que, mesmo quando a atenção e a vigilância são restabelecidas, uma pessoa cronicamente privada de dormir também tem dificuldades de ser criativa, inovadora e ter “aspectos mais divergentes de cognição”.

Em outras palavras, enquanto talvez você possa ser capaz de se levantar e tomar boas decisões no trabalho após não dormir bem por uma semana, você deverá ter problemas para finalizar aquele texto, filme ou pintar.

2. Maior risco de obesidade

Várias pesquisas estão acontecendo para determinar se dormir mais ajuda a pessoa a perder peso, uma vez que muitos estudos já conectam ciclos de sono curto com o aumento da obesidade.

Schachspiel durch GedankensteuerungSono sem qualidade pode causar stress cardíaco e cerebral.

Pesquisadores concluíram, há anos, que a obesidade pode afetar os ciclos de sono das pessoas, causando, por exemplo, a apneia – uma situação em que a respiração é interrompida durante o sono, resultando em perda retroativa dos ciclos na fase REM, quando ocorrem os sonhos mais vívidos. A apneia é geralmente um sintoma de obesidade.

Os pesquisadores Gugliemo Beccuti e Silvana Pannain, do Departamento de Medicina da Universidade de Chicago, também descobriram que ciclos de sono curtos e de qualidade ruim podem contribuir para o desenvolvimento da obesidade.

O sono é um importante regulador das funções do metabolismo do corpo. Dormir menos significa que o corpo está menos capaz de regular o quanto ele consome, levando ao aumento da fome.

3. Estresse cardiovascular

Uma pesquisa de 2013 descobriu a “interação significativa” entre a carência de sono e a pressão sanguínea. Pesquisadores testaram um grupo de 20 jovens adultos saudáveis que nunca tiveram qualquer tipo de problemas no sono.

Depois de uma noite de privação de sono, houve aumento da pressão sanguínea nos jovens testados, o que causou também estresse psicológico agudo. O estresse cardíaco e cerebral levou os indivíduos a ter desempenho ruim em uma série de testes cognitivos padronizados.

DW

Bate-cabeça de roqueiros pode causar dano ao cérebro, diz estudo

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Comum em shows de heavy metal, o “bate-cabeça” (do inglês headbanging) – tipo de dança que consiste em balançar a cabeça violentamente para frente e para trás no ritmo da música – pode causar danos ao cérebro, alegam médicos alemães.

Headbanging ou bate cabeça | Crédito: Thinkstock

Médicos alemães descobriram sangramento em cérebro de paciente que balançou a cabeça violentamente em show de heavy metal

A constatação partiu da análise do caso de um homem de 50 anos que desenvolveu um sangramento no cérebro após um show do Motörhead.

O paciente reclamou de uma dor de cabeça incessante no momento em que deu entrada na Escola Médica de Hannover, quatro semanas após ter ido a uma apresentação da banda.

Uma tomografia revelou um coágulo no lado direito de seu cérebro, que foi posteriormente removido com sucesso pelos neurocirurgiões que o atenderam.

O caso foi considerado “muito atípico” pelos médicos.

Em um artigo publicado na revista científica Lancet, o neurocirurgião Ariyan Pirayesh Islamian, que liderou as pesquisas, afirmou que o homem – que preferiu não ter sua identidade revelada – não tinha histórico de traumatismos na cabeça e negou ter usado qualquer tipo de drogas ou álcool, quando foi hospitalizado, em janeiro de 2013.

O paciente, entretanto, afirmou que estava “bangueando” em um show de heavy metal semanas antes.

Speed metal

O “bate-cabeça” é uma espécie de dança que consiste em balançar freneticamente a cabeça no ritmo da música, muito comum em shows de heavy metal.

A prática foi vista pela primeira vez no início da década de 1970. O Motörhead foi uma das bandas que popularizou a dança com a invenção do “speed metal” – um estilo de rock tocado em alta velocidade (acima de 200 bpm).

No caso específico registrado na Alemanha, os neurocirurgiões disseram que embora a dança possa ser divertida, “alguns fãs podem correr risco com esse tipo de prática”.

Apenas três outros casos de sangramento no cérebro foram ligados ao bate-cabeça.

Após drenar o sangue do cérebro do paciente, os médicos descobriram um cisto próximo ao coágulo, que tornaria o seu cérebro mais suscetível à hemorragia.

Os médicos concluíram que, ao balançar da cabeça para frente e para trás, o homem sofreu um rompimento das veias, causando hemorragia no espaço subdural, situado entre a dura-máter e a aracnoide, no cérebro.

Perigo à saúde?

O “bate-cabeça” já foi associado a outros problemas de saúde como lesões no pescoço e na coluna – mas é comumente considerado inofensivo.

Para Luke Grigs, diretor de comunicações da Headway, uma associação sobre danos no cérebro, “o movimento repetitivo e agressivo da cabeça pode levar a um dano no cérebro uma vez que o órgão se movimenta dentro da cabeça, mas a probabilidade de uma lesão é pequena”.

Ele acrescentou que “seria altamente improvável que uma pessoa sofra um hematoma de bate-cabeça em um show”.

“No entanto, nós recomendamos fortemente que qualquer um que reclame de uma dor de cabeça constante por um longo período de tempo – tendo ido a um show ou em quaisquer outras circunstâncias – deva procurar aconselhamento médico”.

BBC

saude.ig.com.br

Transferência de glóbulos brancos é testada no tratamento da leucemia

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Após transplante de medula óssea, sistema imunológico de pacientes é neutralizado, a fim de evitar rejeição. Pesquisadores da Alemanha estudam transferir linfócitos B e “células da memória” do doador.

Em casos graves de leucemia, o transplante de medula óssea é um tratamento comum, em que o tecido do paciente é substituído pelo do doador. Após esse procedimento, a recuperação do sistema imunológico do transplantado pode durar meses e anos. Assim, cientistas da Alemanha pesquisam uma técnica para reduzir os riscos de infecção durante essa fase.

A leucemia é um câncer que afeta os leucócitos – glóbulos brancos do sangue que fazem parte do sistema imunológico, o responsável pela proteção contra doenças. Os casos de leucemia aguda se desenvolvem rapidamente e precisam ser tratados o mais rápido possível.

Mas no transplante a medula óssea do doador também pode ser rejeitada pelo organismo do receptor. Isso obriga os transplantados a tomarem remédios que reprimam amplamente a ação de seu sistema imunológico, aumentando o risco de infecção e acarretando que a vacinação básica tenha que ser refeita, como numa criança. Entretanto, não existem vacinas contra certos agentes, como fungos ou o vírus do herpes.

“Alguns pacientes pegam alguma infecção logo após o transplante, ou seja, nas quatro primeiras semanas. Mas eles podem também estão expostos a infecções graves nos anos seguintes”, informa Andreas Mackensen, do Hospital Universitário de Erlangen.

Pesquisadores do Instituto de Virologia do Departamento de Biologia da Universidade de Friedrich Alexander de Erlangen e Nurembergue pesquisam como diminuir ou eliminar esse risco. No futuro, após o transplante de medula óssea, os pacientes devem receber também linfócitos B saudáveis – um tipo de glóbulos brancos que produz anticorpos.

Transferência de linfócitos B reduziria estresse inunológico

Células da memória

Os pesquisadores já conseguiram isolar os linfócitos B tanto in vitro quanto em experimentos com camundongos. E desenvolveram técnicas para purificar os leucócitos do sangue do doador e transferi-los para o paciente de transplante. No atual estudo, essa transferência ocorre de três até quatro meses depois do transplante.

“Esse é o período que o paciente ainda não possuiu um novo sistema imunológico e está vulnerável a infecções. Nós conseguimos demonstrar que na fase após o transplante o paciente não possui nenhuma célula de memória no sangue”, diz Mackensen.

Essas células, responsáveis pela memória imunológica do corpo, são uma espécie de catálogo de informações para a formação de anticorpos contra doenças. Os pesquisadores pretendem também transplantá-las nos receptores, para que seu corpo não precise aprender novamente as respostas imunológicas – como ocorre com os recém-nascidos.

Ou seja: após o transplante de medula óssea, os pacientes com leucemia recebem também do doador um sistema imunológico saudável. Por exemplo, se o doador foi vacinado contra febre tifoide, essa vacina também é transferida ao receptor.

“Nós queremos, saber o que acontece exatamente, é claro. Pretendemos também aplicar uma vacina convencional no paciente, para observar se ele reage a ela. Nós sabemos que sem células [da memória] o paciente não reage à vacina. Deste modo, temos um grupo de controle e podemos mostrar que a técnica funciona”, relata o pesquisador.

Perigo de reação imunológica descontrolada

Contudo há, ainda, o risco de que as células imunológicas não produzam somente anticorpos contra bactérias e vírus, mas também autoanticorpos, causando distúrbios nas reações imunológicas, como reações exageradas do sistema de imunidade.

“Por isso decidimos começar no primeiro estudo com uma quantidade pequena dessas células. Assim, elas não desencadeiam diretamente reações imunológicas completas, que possam se voltar a tecidos saudáveis. Esse é o problema e o risco principal”, admite Andreas Mackensen.

Mas há um anticorpo que é permitido para determinadas doenças e é capaz de “desligar” os linfócitos B transplantados. “Se a situação sair totalmente do controle, há a possibilidade de aplicarmos esses anticorpos que eliminam imediatamente as células. Portanto, existe um mecanismo de segurança.”

Em sua primeira fase, a pesquisa em Erlangen conta com 15 pacientes. O primeiro teste foi feito num rapaz bávaro de 21 anos, submetido a transplante em março. “Ele está ótimo; em casa e com saúde; vem regularmente para a consulta de controle e está superando tudo muito bem”, conta, animado o cientista.

 

Cientistas esterilizam mosquitos no combate à malária e outras doenças

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Pesquisadores da Agência Internacional de Energia Atômica na Áustria investigam vida sexual dos mosquitos machos. Técnica do inseto estéril está sendo aperfeiçoada, para aplicação em transmissores da malária.

Ao anoitecer os mosquitos aparecem. Eles têm dois objetivos em seus minúsculos cérebros: comer e se reproduzir. A comida preferida da fêmea é sangue – e aí começa o problema entre esses insetos e os seres humanos. Por esse motivo, uma equipe da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) está pesquisando intimamente a vida sexual desses animais.

O ato reprodutivo dos mosquitos não dura mais do que 16 segundos. Entender esses segundos e assegurar que não conduzam à procriação é o desafio dos pesquisadores da AIEA em Seiberdorf, próximo à capita austríaca, Viena.

No laboratório, o entomologista médico Jeremie Gilles mostra à DW uma gaiola coberta por um mosquiteiro, cheia de insetos negros que parecem estar dormindo. “É aqui que as fêmeas vêm colocar os ovos, depois de se alimentar de sangue”, explica.

Ao picar seres humanos para sugar seu sangue, é a fêmea quem transmite doenças como malária, dengue e febre amarela. No entanto, a AIEA focou suas pesquisas nos machos, em que aplica a “técnica do inseto estéril” (Sterile Insect Technique). Eles são esterilizados com radiação em laboratório e depois libertados na natureza, em grande quantidade.

O método já se mostrou eficaz tanto no combate às moscas-varejeiras que atacam o gado, como das moscas das frutas que destroem lavouras. Como a fêmea do mosquito se acasala apenas uma vez em sua vida, e o macho várias, os pesquisadores da AIEA esperam que, também neste caso, a técnica de controle biológico se mostre eficaz.

Mosquitos resistentes

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a malária mata aproximadamente 750 mil pessoas por ano, a maioria crianças com menos de cinco anos na África subsaariana. Reduzir essas mortes já é um forte motivo para a técnica da esterilização dos mosquitos, mas o entomologista Andrew Parker aponta outra razão.

“Se a erradicação local for alcançada – não a global, apenas a local –, não será mais necessário o uso de pesticidas. Assim, essa tecnologia se presta perfeitamente a uma redução substancial dessas substâncias.” Em Burkina Faso, onde são comuns a malária e a dengue, de que eles são vetores, mosquitos resistentes a inseticidas passaram a preocupar as autoridades de saúde.

“O uso de inseticidas na agricultura afetou a resistência dos vetores”, confirma o entomologista médico Roch Dabire. Pois as substâncias empregadas contra as pragas nas plantações de algodão e outras são as mesmas encontradas nos sprays domésticos antimosquitos.

Em regiões da África, mosquitos desenvolveram resistência a inseticidas convencionais

De distribuição manual a drones e companhia

“O desenvolvimento da técnica do inseto estéril não vai substituir completamente os inseticidas, mas vai complementar nossa estratégia de controle”, prevê Dabire. A pesquisadora da AIEA Cynthia Nanvuma complementa que a expectativa é de “uma queda drástica no número de pessoas que sofrem de doenças transmitidas por esses mosquitos”.

Segundo o entomologista Jeremie Gilles, um aspecto fundamental da pesquisa é conseguir evitar que as fêmeas identifiquem rapidamente os mosquitos estéreis e os ignorem, copulando apenas com os mosquitos não modificados. Acima de tudo, para a técnica do inseto estéril restringir significativamente a reprodução do mosquito na natureza, é necessário esterilizar e dispersar uma grande quantidade de machos.

Na fase atual isso ainda não aconteceu: até agora a difusão dos mosquitos tem se realizado se em pequena escala e manualmente, com a ajuda dos moradores de áreas propensas à doença. Assim, para realmente impactar a população dos insetos, o cientista da AIEA está procurando soluções não convencionais. “Nós estamos trabalhando nesse aspecto e aprendendo sobre planadores, ultraleves, girocópteros e até mesmo… drones”, revela Gilles, um tanto misterioso.

DW

Mulher perdeu as duas pernas e uma mão ao inalar bactérias mortais em uma viagem na Toscana, Itália

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Alethea Parker, de 51 anos, quase morreu, perdeu as duas pernas e uma mão depois de inalar bactérias mortais, enquanto estava em Toscana, na Itália, passando as férias com sua família e amigos.

Aparentemente, ela entrou em contato com bactérias Legionella enquanto tomava banho no hotel. Suas férias felizes na Itália se transformaram em um pesadelo e ela teve de ser internada durante meses.

Denominada “doença do legionário”, ainda possui um status quase mítico por conta dos poucos casos. Porém, a bactéria Legionella pneumophila continua contaminando o fornecimento de água e pode ser um perigo fatal.

Na semana passada, o responsável pelo sistema público de saúde inglês emitiu um alerta urgente depois de um recém-nascido ser internado com a doença, que foi adquirida com as águas de uma banheira da casa de parto.

Até 15% das pessoas que contraem esse tipo de infecção pulmonar, causada pela inalação de gotículas de água contaminada com as bactérias, morre. E aqueles que sobrevivem podem ficar com sequelas graves para o resto da vida como Alethea.

Eu fiquei com dor de cabeça e estava constantemente com sede. Senti-me apática, mas associei isso ao estresse do trabalho que tinha vindo antes das férias. Então, no final da viagem foi quando eu realmente comecei a ficar doente e até pensamos que fosse intoxicação alimentar”, relembra Alethea.

Chegando em casa, no Reino Unido, seu estado piorou consideravelmente. Ela teve de ser induzida ao coma enquanto eles faziam mais exames, e foi quando informou ao marido e aos amigos que ela havia contraído a doença do legionário.

O médico disse que o único tratamento possível era uma ECMO (oxigenação por membrana extracorpórea), que funciona como um pulmão artificial, retirando o dióxido de carbono do corpo e depois inserindo o oxigênio limpo de volta. Entretanto, as coisas não melhoraram.

Mesmo usando vários medicamentos, nada parecia funcionar. Nesse momento, ela teve de retirar as duas pernas e a mão, pois gangrenaram no processo. A noradrenalina, injetada em seu coração para reduzir o tamanho dos vasos sanguíneos, era o que ajudava a mantê-la viva.

Na segunda semana, Alethea foi retirada do ECMO, transferida de volta para a UTI e lentamente foi retirada do coma. “Eu estava realmente chateada porque eu não sabia como iria trabalhar de novo sem uma das mãos. Eu teria de seguir em frente e fazer o melhor possível”.

Atualmente, ela é capaz de dirigir, graças a um cabo especial colocado no volante do seu carro e recuperou a sua licença. Ela ainda visita uma unidade de reabilitação para manutenção de suas pernas protéticas e da mão, mas agora está clinicamente bem, sem problemas duradouros com seus órgãos. “Você se acostuma“, diz ela. “Me dá nos nervos precisar de alguém comigo o tempo todo. Eu quero voltar à vida da maneira mais normal possível”.

Fonte: DailyMail Foto: Reprodução / DailyMail / Presse

Via Jornal Ciência

Surto de ebola está fora de controle, alerta Médicos sem Fronteiras

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 Vírus já matou 330 pessoas na Guiné, Libéria e Serra Leoa. ONG pede maior envolvimento de governos e instituições para controlar maior epidemia da história.

O surto de ebola que atinge a África Ocidental está fora de controle, advertiram especialistas da ONG Médicos sem Fronteiras (MSF) nesta sexta-feira (20/06). Essa é maior epidemia da doença já registrada. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), o vírus já matou 330 pessoas.

Somente na última semana, foram registrados 47 casos suspeitos e 14 mortes. “A realidade é evidente que a epidemia está agora em uma segunda onda. E, para mim, está totalmente fora de controle”, afirmou o diretor de operações da MSF, Bart Janssens.

Para Janssens, organizações internacionais e governos envolvidos precisam enviar mais especialistas em saúde e ampliar as campanhas educativas sobre como evitar a propagação da doença.

O país mais afetado com o ebola é a Guiné, onde o surto se iniciou há três meses. Até o momento, 264 pessoas morreram no país e outras 398 estão sendo tratadas da doença.

Outros casos foram registrados em Serra Leoa e Libéria. Na última semana, a Serra Leoa fechou suas fronteiras para tentar evitar a expansão da doença.

O ebola é o vírus mais contagioso do mundo. Não existe uma vacina ou medicamento para combatê-lo. A doença mata 90% dos infectados. Seus principais sintomas são vômito e diarreia graves, febre e hemorragia interna e externa.